terça-feira, 13 de abril de 2010

Aldeia no Pará tem certificação florestal desde 2006. Mas cliente precisa 'reconhecer a história do produto'.

Kore Kaiapó saiu da Terra Indígena do Baú, a cerca de 100 quilômetros de Novo Progresso, no Pará, e viajou até São Paulo sabendo que precisava tentar resolver um problema.

Em seu estande na ala de iniciativas comunitárias da 4ª Feira Brasil Certificado, realizada na semana passada, ficou à espera de quem se interessasse em conhecer o trabalho de seu povo, representado nas castanhas em cima da mesa. Aos 32 anos, voltou para casa neste sábado (10) com algumas propostas em mente, mas nenhum contrato assinado. E a única tribo indígena que tem “selo verde” no Brasil continua sem clientes. De forma pioneira, em 2006, sua tribo se interessou por uma ideia que tem garantido o negócio de grupos privados preocupados com o meio ambiente. É a certificação florestal, por meio da qual empresas conseguem aproveitar recursos da Amazônia sem degradar a mata nativa. Aplicada à Terra Indígena do Baú e seu 1,5 milhão de hectare, esta iniciativa ajuda cerca de 160 famílias a se organizarem em torno da produção de óleo de castanha.

Em busca de uma atividade que gerasse renda para a aldeia, os indígenas da etnia kaiapó resolveram, em 2004, começar a exportar o produto derivado da castanha-do-Pará, cuja colheita representa uma tradição na tribo. O negócio deu certo e, em 2005, Kore e seus conterrâneos conseguiram vender 750 litros do óleo, cada um por R$ 27. O preço do litro subiu para R$ 40 quando a tribo adotou a certificação florestal, em 2006, por meio da ajuda de uma ONG. Naquele ano, um cliente encomendou quatro toneladas do óleo. Era um salto na produção da aldeia. Mas, no final, o comprador levou apenas a metade do previsto. A negociação havia ficado no contrato verbal, e os indígenas não tiveram como cobrar pela parte excedente, que acabou se perdendo. Desde então, a Terra Indígena do Baú tem enfrentado dificuldades para fechar um negócio confiável.

Nenhum comentário:

Postar um comentário